segunda-feira, 9 de junho de 2014

RESSURGE UM GIGANTE






Domingo, 15:00. Foi sob um céu nublado e uma atmosfera eletrizante que dois dos maiores clubes de futebol amador de Uruçuca se encontraram em uma final de campeonato municipal que há vinte e quatro anos não se realizava: Corinthians x Comercial! Décadas de tradição nos ombros de cada homem com uniformes auricelestes e alvinegros! Sem dúvida alguma, os deuses do futebol, às vésperas da copa do mundo, voltaram suas atenções para aqueles atletas que momentos antes da partida se encaravam, cada qual em seu lado do campo de batalha.
Arquibancada lotada, de uma lado a fanática torcida do Comercial do outro a apaixonada corintiana, após um minuto de silêncio em respeito a morte do grande colorado Fernandão, o juiz apita, a bola rola e a batalha começa. Muitos desavisados achavam que o campeonato havia sido decidido na semifinal, inocentes! Em cinco minutos, já se via uma disputa tática encarniçada no meio campo com o camisa 11 auriceleste Gian, leve, habilidoso, o improviso em pessoa, dando enorme trabalho ao firme e preciso alvinegro Guto, vice campeão da lendária seleção uruçuquense de 2000.
Diante de um jogo bem armado taticamente de ambos os lados, o caminho para o gol só poderia vir do talento individual e, na metade do primeiro tempo, o jovem talento conseguiu uma brecha no jogo do experiente guerreiro corintiano, veloz, em diagonal, passando por marcadores como se eles simplesmente não estivessem ali, mandou um torpedo de canhota no ângulo direito do gol do ginásio, diante de um impotente arqueiro corintiano que se esticava tentando evitar o inevitável! O urro vindo do lado auriceleste era a certeza de que o Comercial abrirá o placar! 1 x 0, gol de Gian!
Os corintianos, frios como os soldados da antiga cidade grega que dão nome ao time, puseram a bola no meio e recomeçaram o jogo, como se nada houvesse acontecido. Nervos de aço, cabeças de gelo e muito, muito coração. Então os deuses do futebol começaram a brincar com a paixão dos uruçuquences! O inverso e a mesma cena, Play, o habilidoso camisa 11 alvinegro parte em diagonal da direita do ataque, passadas largas, protege a bola enquanto a carrega e dispara um míssil no ângulo do veterano Uilliam! Indefensável. A torcida corintiana aos berros, reacende a esperança.
Começa o segundo tempo, o mesmo equilíbrio, a mesma pegada, a mesma tensão. O jogo já começa a ganhar contornos de peleja histórica, daquelas que os avôs contam para os netos. O Comercial pressionava e Baggio, o hábil goleiro corintiano insistia em frustrá-los. Vieram as substituições e Erlam Dias saiu do banco para fazer a diferença para o Comercial: Costurou pelo lado esquerdo do ataque e cruzou na medida para Lei, sempre Lei, empurrar para as redes e deixar a sua torcida em êxtase!
Novemente os corintianos puseram a bola no meio, Gilvan, tenso no banco mexe no time e provoca um verdadeira blitz sobre a defesa adversária, o Comercial por sua vez, com os velozes Pim e Erlam Dias ameaçam seriamente em contra ataques mortíferos. Minutos finais, quatro de acréscimo e o espírito de luta dos corintianos foi recompensado, Marcone, o camisa 10 alvinegro, carrega a bola e, da entrada da área bate preciso no cantinho. O relógio marcava quarenta e seis do segundo tempo, a decisão seria nos pênaltis e os deuses do futebol riam!
Começam as cobranças, Lei é o primeiro a bater para o comercial, frio, experiente, um atirador de elite dos campos de futebol, não erraria. ERROU! acertou o poste esquerdo do goleiro e cobriu o rosto com as mãos, como se tentasse acordar de um pesadelo. A torcida do Corinthians enlouqueceu nas arquibancadas. O banco do comercial ficou consternado. As cobranças se seguiram, convertidas uma a uma. Baggio quase pegou a cobrança de Pim, a bola apenas roça a rede depois de passar por baixo do goleiro.
O lendário Braúna vai para a última cobrança do Comercial. O estádio inteiro prende a respiração. Se ele errar o Corintianas será o campeão após sete finais! Frio, expressão  indecifrável, se move com precisão e manda no ângulo direito do goleiro, perfeito! Vem agora Guto, capitão dos corintianos, para depois de décadas consagrar os alvinegros, coloca a bola na marca da cal, concentrado, deve ter passado um filme em sua cabeça, de tudo que passara pra chegar naquele momento. A bola, o goleiro e o gol. A segundos do título, a nove metros do título! Correu, Colocou toda a sua vontade no chute e a bola voou. Dez centímetros, dez centímetros evitaram a bola de entrar e a torcida do comercial veio abaixo de emoção. Guto vai às lágrimas.
Cobranças alternadas dessa vez. Erlam Dias para o Comercial, desloca o goleiro. Ele e Braúna executaram as melhores cobranças. Chega a vez de Play, o mundo sobre os ombros. Todos prendem a respiração, Uilliam no centro do gol mais concentrado que nunca. Ele corre, pega firme de direita, a bola voa com precisão para o lado direito para encontrar as mãos ágeis de Uilliam que dão o título ao Comercial.
Essa foi a épica história de uma partida lendária. Dá pra escutar, lá do céu, o tic tac da máquina de escrever de Armando Oliveira a registrar a crônica dessa fantástica final, a voz poderosa do poeta Jorge Medauar a citar em verso e prosa para Homero os feitos desses heróicos guerreiros e Caçote rindo sem parar, feliz, porque finalmente os deuses do futebol fizeram ressurgir o imponente gigante que é o glorioso futebol de Água Preta!
Texto: Murilo Brito- Grato torcedor da Seleção de Uruçuca



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