sexta-feira, 21 de julho de 2017

Mirgon Kayser: Rodrigo Maia e a Reinvenção do Golpe



A derrubada de Dilma de forma ilegítima em um golpe parlamentar com suporte do Judiciário – portanto a aliança entre dois poderes para assumir o controle do terceiro – aniquilou com o conceito basilar do nosso Estado Constitucional que é a independência e equilíbrio entre os Poderes da República.
Os verdadeiros corruptos deste país tinham interesse em barrar o fortalecimento das instituições democráticas como vinha acontecendo durante todo o governo Lula e posteriormente durante o governo Dilma. Os verdadeiros poderosos do país queriam a implantação do seu programa, paralisado desde janeiro de 2003. A classe média descrita por Marilena Chauí foi às ruas pelos interesses daqueles primeiros. Setores apodrecidos do Judiciário subiram na onda, seja pela defesa dos seus amigos, dos seus interesses ou apenas seduzidos pelos holofotes. Fechando a equação, aqueles políticos oportunistas que estavam onde sempre estiveram: à venda. Todos – com exceção do Brasil e da classe trabalhadora – sairiam ganhando…
O que provavelmente não estivesse no script inicial dessa grande aliança – mas talvez já nos scripts de alguns golpistas, quiçá inclusive estimulando o cenário – era que o governo ilegítimo de Temer entraria em decomposição de forma tão acelerada. Um pouco pela sede dos corruptos afastados do poder e agindo sem qualquer pudor, outro pouco pelas contradições de interesses intradireita (por acaso Onyx Lorenzoni, deputado do DEM, partido de rodrigo Maia, é o único parlamentar genuinamente de direita do RS que já manifestou-se pelo afastamento de Temer), outro tanto pela demora em implementar as reformas tão aguardadas pelo grande capital. O certo é que se retroalimentam e são potencializadas por aqueles setores que por uma razão ou outra que já abandonaram Temer e vislumbram em Rodrigo Maia um governo capaz de responder aos anseios daqueles para quem está a serviço.
Nada do que ocorre hoje no país tem relação real com um combate à corrupção. A ausência das panelas da classe média que foram às ruas contra Dilma e a condução diferenciada que Sérgio Moro dá à Lava Jato, hora perseguindo a esquerda, hora protegendo a direita, são símbolos nítidos disso. Temer é corrupto, protagonizou um golpe, aplica políticas de desmantelamento do nosso país e tenta implementar reformas nefastas ao país e não aprovadas pelo crivo eleitoral. Mas Temer não está caindo por nenhuma dessas razões. Está em vias de cair justamente porque perdeu as condições de realizar as reformas para o grande capital e porque os setores que ainda o sustentam começam a considerar a conta política das gafes e dos escândalos cara demais para os resultados alcançados.
Com a queda iminente de Temer, Rodrigo Maia terá pelo menos seis meses de governo durante o processo no Senado e pelo menos mais três meses para chamar eleições indiretas. Tempo em que sua tarefa será dar seguimento ao programa de reformas. Depois podem acontecer eleições indiretas, poderão chegar as eleições de 2018 ou até mesmo pode haver um grande acordo para que 2018 simplesmente não aconteça.
Tudo dependerá – na conta deles – do ritmo empreendido por Rodrigo Maia em “fazer o serviço” dos interesses do grande capital e nas condições em que Lula, o PT e as demais forças de esquerda do país cheguem para o cumprimento do calendário eleitoral.
A direita brasileira não fez tudo o que fez para ver a esquerda – especialmente Lula – voltar à Presidência da República apenas três anos depois. O grande capital não fez tudo o que fez para ver suas reformas não serem implementadas no país. O plano objetivo é realizar as reformas ainda nos próximos meses, criminalizar Lula e o PT retirando destes a capacidade de disputar as eleições de 2018 (preferencialmente com a prisão de Lula) e deixar o caminho livre para que o próximo embate eleitoral garanta um de seus representantes. Se Lula chegar em condições de disputar as eleições e com os níveis de aceitação popular que possui e Maia sendo o “bom menino” que o capital espera, este poderá mesmo ganhar o afago de uma Presidência mais longa, até 2020 – não custaria nada um novo “golpinho” para cancelar as eleições de 2018… Seria apenas mais um desdobramento do processo que o Brasil vive hoje.
É por isso que uma eventual queda de Temer deve ser vista somente como uma reinvenção do golpe e a sequência do governo ilegítimo. Seguir denunciando o Estado de Exceção e lutando por eleições diretas já deve seguir prioridade zero de todo e toda militante da democracia nesse país. A centralidade dos setores que acreditam em um país democrático, livre, justo e igualitário deve ser derrubar Temer, mas também derrubar Maia, derrubar os golpistas, realizar eleições diretas ainda em 2017 e reconduzir o país de volta ao caminho da normalidade democrática. Como bem disse Lula, nós podemos esperar, mas o Brasil não aguentará.

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